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New versus old media: uma relação dependente?

aqui tinha referido o medo de extinção que varre os jornais americanos  numa altura em que os novos media e grupos sociais assumem um papel crescente na informação dos cidadãos. Por essa razão, achei muito curioso este «New media vs. old media: A portrait of the Drudge Report 2002-2008» que conclui, após várias páginas de análise:

 

«As Tom Rosenstiel, Director of the Project for Excellence in Journalism, noted in 2007, “The dirty little secret about Drudge is that he’s a gateway for conventional journalism.” (Sappell, 2007) In a time when mainstream media is coming under increasing pressure from “new” media, this portrait of one of the Web’s longest–lived and most commercially successful news aggregators paints an image not of a new media paradigm to replace the old, but rather of a symbiotic and highly dependent relationship between old and new

 

Na realidade, não sabia ser um «pequeno segredo sujo» a natureza do Drudge Report, um agregador de notícias que tem as suas origens num serviço de notícias semanais enviadas por email, fundado em 1996 por Matt Drudge. De facto, o Drudge consiste essencialmente em links para notícias e opinações (conservadoras na sua maioria) nos media tradicionais de todo o mundo,  salpicados muito de vez em quando com spins autónomos sobre assuntos ignorados, como aquele que lhe deu  notoriedade, o caso Lewinsky recusado pela Newsweek.

 

Isto é, não percebo porque se utilizou para analisar os novos media um agregador de notícias dos media tradicionais. Muito menos percebo como se pode concluir da análise que não existe nenhum novo paradigma informativo a substituir o antigo mas que apenas existe uma relação simbiótica e altamente dependente dos novos em relação aos media tradicionais.

Também tu, João Miguel Tavares!

Ontem, João Miguel Tavares também perguntou. E embora esteja por lá bem visível nas entrelinhas, só lhe faltou reduzir a escrito o tão na moda ai ai ai, ai ai ai, mas que raio de democracia é esta? Não vou descer ao nível do cerne do artigo, se é que aquilo tem tal coisa, tanto é o que fica pelo ar, tantos são os conceitos indecifráveis, tamanha a vacuidade e indeterminabilidade. Fico-me pelos arrabaldes, que são os do meu contentamento.

 

Do título: logo na escolha do letreiro, JMT mostra-nos bem o que lhe vai na alma: a dor, a angústia. A mágoa que lhe corrói as entranhas alma por se sentir traído, como depois prova à saciedade pelo bem fundamentado artigo. A expressão “Também tu, Cavaco Silva?”, arrisca-se a ser o “Tu quoque, mi fili!” do Portugal do século XXI.

Do Primeiro-Ministro acossado: JMT apelida o primeiro-ministro de acossado. Não sei bem o que é ele queria dizer, mas afastando-nos das intenções, que às vezes teimam em andar desencontradas da boa expresssão, há que dizer que nesse aspecto não há volta a dar: o homem tem razão. O PM anda mesmo a ser acossado, perseguido, molestado. Embora por ninguém que releve para o efeito de atribuir alguma importância ao acossamento em causa. Se o primeiro-ministro andasse a ser acossado, e aqui tenderia a entender o palavrão como um disfemismo, pelo Ministério Público ou pela PJ, nesse caso teríamos encontrado o mítico homem a morder o cão. Como tal não acontece, vai marchando a banda da esperança.

Dos procuradores da República sob suspeita: uma espécie de plural majestático atípico, certamente.

Do provedor da Justiça incapaz de ser eleito: a ideia de um “provedor da Justiça incapaz de ser eleito” encanta-me, confesso. Se a crónica fosse uma sopa, este seria o ingrediente que me levaria a pedi-la. Ai leva “um provedor da Justiça incapaz de ser eleito”? Quero uma e sou gajo para repetir. A coisa tem algo de kafkiano, aliás na esteira do PM acossado. Traz-me a ideia de um provedor de justiça que já o é, mas que não é capaz de ser eleito - coisa estranha e adoravelmente nonsense. Perdia em efeito sonoro o que ganhava em plausibilidade, a ideia de um provedor de Justiça incapaz de ser reeleito ou de um candidato a provedor de Justiça incapaz de ser eleito ou ainda de um conjunto de partidos incapazes de eleger um provedor de Justiça. Trata-se claramente de um gajo que exerce o cargo de provedor de justiça, mas por alguma razão estranha ninguém o reconhece como tal; e então o tipo, numa de ser legitimado, quer ser eleito. Mas ninguém lhe liga. Coisas da vida, que acontecem muito – como tudo o que JMT nos habituou a relatar nas suas crónicas. Onde parou Kafka, continuou JMT. É uma honra para todos nós. E aquele pormenor do “da Justiça”?, julgam-no um lapso? Nada disso, o provedor do JMT é mais do que um simples provedor de uma qualquer justiça, é O provedor DA Justiça – o que só aumenta a injustiça de não conseguir reconhecimento público.

Da referência moral onde encontrar algum conforto: JMT diz que não se “admira que o Parlamento se entusiasme tanto com a santificação de um português do século XIV.” E justifica - ele tem o hábito de justificar tudo o que diz: “É que hoje olhamos à nossa volta, procuramos uma referência moral onde encontrar algum conforto, e a sala está assustadoramente vazia.” Não podia estar mais enganado. Se bem a vejo, a sala está atestada de referências morais. Efectivamente, vendo a moral como algo de mutável, determinada a cada momento por inventários anuais, cada vez a sala enche mais. E o JMT está lá dentro, sentadinho na cadeira da frente.

Ética jornalística

 

O assassínio de George R. Tiller por um terrorista está a suscitar uma série de debates muito interessantes nos Estados Unidos. Um dos artigos que mais gostei de ler  foi escrito por Susan Brooks Thistlethwaite, ex-presidente do Chicago Theological Seminary, que expõe as inconsistências éticas e morais dos chamados pró-vida - que na realidade não passam de anti-escolha por razões da zona pélvica.

 

Não acredito que seja possível que estas inconsistências se tornem aparentes para a maioria dos fundamentalistas que importunavam os transeuntes e ululavam em frente a uma Planned Parenthood em San Diego. A minha primeira impressão era que se tratava de loucos violentos que tinham escapado da ala psiquiátrica do hospital onde ia tentar explicar que a minha reacção positiva à tuberculina se devia a ter sido vacinada (repetidamente) contra a tuberculose.

 

Guilty pleasures ou com a verdade me enganas

Há uns tempos recebi por mail uma mensagem que me fez sorrir. A mensagem dizia que «Os perigos do monóxido de di-hidrogênio e seus inúmeros perigos à saúde já são conhecidos da população. Mas a recente morte de Jennifer Lea Strange, envenenada, me faz crer que ainda é necessário disseminar mais informações sobre esta droga fatal. Especialmente porque a natureza do monóxido de di-hidrogênio como porta de entrada para drogas pesadas ainda é subestimada pelas autoridades.
Você sabia que 100% dos adolescentes que usam cocaína, loló, maconha ou heroína usaram monóxido de di-hidrogênio pelo menos um mês antes de experimentar as drogas pesadas?
Você sabia que esta substância é encontrada freqüentemente no corpo de assassinos, estupradores e outros criminosos logo após sua apreensão em flagrante?
Você sabia que esta substância perigosa, além de ser um solvente praticamente universal, também está presente em tumores cancerígenos?  Todos os anos milhares de pessoas morrem em conseqüência da ingestão desenfreada desta substância, e mesmo assim não é feita uma campanha de consciencialização, nada.
De fato, apesar  dos perigos reconhecidos do
monóxido de di-hidrogênio, o governo brasileiro se recusou a banir a produção, distribuição ou uso desse químico prejudicial por causa de sua importância para a economia desta nação. Indústrias despejam MDH nos rios e oceanos, e nada pode ser feito contra essa prática, porque ela é legal!  Organizações militares de vários países conduzem experimentos com MDH, e fazem uso de dispositivos caríssimos para controle e utilização do monóxido durante situações de guerra. O impacto na vida selvagem é extremo, não podemos continuar a ignorar essa situação! O horror deve ser detido!»

 

New kids on the block

 

Um novo projecto da rede PNET a seguir com atenção: dois agregadores de notícias o PNETeconomia  e o PNETpolítica. Algo a louvar em ambos é o facto de seguirem não apenas a imprensa tradicional mas terem feeds dos principais blogs nas respectivas áreas.

 

A notícia chegou-me ao mesmo tempo que um tweet do António Granado que dava conta das previsões de Mario García, um dos mais conhecidos designers de jornais do mundo, sobre o futuro da imprensa em papel nos Estados Unidos. Já foram publicadas três da pentalogia prometida e não são muito animadoras para o negócio. Estou com imensa curiosidade em ler a 4ª, «Why the destruction of US newspapers will not destroy good journalism», para ver se confirma as minhas ... er... «impressões» sobre o tema.

Afinal era só um retrato factual*

"(...) Também eu não fui eleito para falar na TV e escrever no JN. Mas tenho essa poderosa delegação de competências que, enquanto durar, vou respeitar e exercer retratando factualmente o que registo." [Mário Crespo, JN, 12.01-2009]

 

* Para que não venham os mais apressados falar na "resposta de Mário Crespo", há que dizer que a citação é de uma crónica anterior à de ontem.

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