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Criacionismo na Agência Italiana de Ciência

O teólogo Roberto De Mattei ensina História do Cristianismo e da Igreja na Universidade Europeia em Roma e é o presidente da Fundação Lepanto, um grupo católico que pretende defender os princípios e as instituições da civilização cristã ocidental. Entre estes princípios parece estar o criacionismo hard core, versão Terra jovem.

 

De Mattei, infelizmente nomeado pelo governo Berlusconi vice-presidente do CNR, a instituição que financia a investigação em Itália, acabou de publicar, no ano em que se celebra em todo o mundo os 150 anos da publicação d'«A Origem das Espécies»,  um livro pomposamente intitulado «Evolutionism: The Decline of an Hypothesis».

 

Choprawoo

Entre as «farmacopeias» tradicionais mais perigosas em termos de metais pesados encontra-se a usada na «medicina» ayurvédica, para cuja toxicidade o número de Dezembro de 2004 do Journal of the American Medical Association alerta. O estudo indicava que 20% dos «medicamentos» ayurvédicos vendidos na zona de Boston continha níveis muito elevados de chumbo, mercúrio e/ou arsénio. Como notam os autores, a tradição ayurvédica atribui um papel terapêutico importante ao mercúrio e ao chumbo e pelo menos um destes metais entra na composição de muitas das suas formulações.
 

Esta gente passa-se big, big, big time!

No dia 19, no Público, Mário Cordeiro, Pediatra e professor de Saúde Pública, escreveu um artigo, «Vacina da gripe A - lucidez ou paranóia? A escolha é sua», que vale mesmo a pena ler.  O artigo menciona «um "famoso" vídeo da autoproclamada ex-ministra da Saúde da Finlândia, denunciando várias conspirações e maroscas que, resumidamente, davam a vacina contra a gripe A como um produto feito pelos americanos, destinado a extinguir a população de várias zonas do globo. O vídeo circulou, mas poucos se deram ao trabalho de questionar tamanho disparate. Pois a senhora Rauni Kilde era médica e directora-geral da Saúde quando, em 1986 (há mais de 20 anos), teve um acidente de viação e ficou, digamos, com uma diminuição acentuada da sua lucidez».

 

Homeopatetices e o efeito Streisand

 

Larry Moran, o autor do livro onde estudei bioquímica, conta no seu blog que a pessoa que colocou na internet este vídeo, que de facto ilustra a estupidez extrema de quem acredita em homeopatetices, recebeu uma intimidação do advogado da auto-denominada «doutora» (em banhas da cobra, certamente) para retirar imediatamente a coisa do Youtube, ameaça que já surtiu efeito no passado. Claro que o aviso será, como o faço aqui, divulgado por todos os lados da internet e apenas fará despoletar o efeito Streisand.

 

Vale a pena assistar a esta coisa e confirmar como é possível debitar em apenas 8 minutos esta quantidade de dislates!  No caso de os homeopatetas conseguirem de novo retirar esta pérola do YouTube, que explica de facto o que é a homeopatetice, podem ver aqui a transcrição desta sandice e ignorância total de ..., bem tudo.
 

Banhas da cobra New Age

As regiões não codificantes do ADN, muitas vezes designadas «junk DNA», são segmentos que não codificam proteínas mas que podem ser muito importantes, por exemplo na regulação de genes, nomeadamente em eucariotas ou eucariontes. Existem algumas zonas de ADN não codificante ultra-conservadas nos vertebrados (isto é, idênticas ou praticamente idênticas em muitas espécies), que parecem estar associadas à evolução e desenvolvimento dos vertebrados. Outras zonas podem ter tido um papel muito importante na evolução do Homem.

Assim, a designação «junk», que se pode traduzir como «lixo», é errónea. Como a maioria da população não segue a literatura científica, uma quantidade assustadora de charlatães dedica-se à tarefa de enriquecer à custa da ignorância alheia com dislates absolutamente arrepiantes que misturam patetadas New Age com uma linguagem pseudo-científica para enganar os mais incautos. Uma das banhas da cobra de eleição nos últimos tempos é uma suposta activação de ADN, normalmente envolvendo o dito "lixo", da qual existe uma enorme variedade de imbecilidades disponível, desde Theta healing (?) a Crystal Healing passando pelas inevitáveis curas psíquicas.

 

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De vacinas da gripe A e alarmismos injustificados

No post sobre azeitonas que dediquei à nossa Alexandra, referi o esqualeno, o triterpeno de propriedades tão benéficas que quasi levou à extinção do tubarão, em cujos bons fígados se encontra em grande quantidade.

 

Qual foi o meu espanto quando, embora volta e meia com uma grafia errada, descobri que o esqualeno é o responsável por uma onda de alarmismo que varre não só o nosso cantinho mas outras paragens a propósito da vacina da gripe A. De facto, o esqualeno, assim como o α-tocoferol (a forma mais comum da vitamina E antes que o nome desencadeie outra onda de pânico),  faz parte do adjuvante da vacina produzida pela GlaxoSmithKline.

 

Explorando a ignorância química da população em geral, uns vendedores de banhas da cobra "alternativas", um tal de "Dr."  Mercola em particular, resolveram  aproveitar a ocasião para promover as suas charlatanices e lançar boatos, que se espalharam rapidamente, sobre as supostas mazelas que o esqueleno provocaria, de artrite a lupus passando pela encefalomielite auto-imune experimental (EAE) não esquecendo a síndrome da Guerra do Golfo, que, de acordo com os charlatães, seria devida ao esqualeno da vacina contra o antrax (por acaso e apenas por acaso, não utilizado nesta vacina).

 

De cardos, espinhos e lendas urbanas

Começo a dar-me conta: a mão
que escreve os versos
envelheceu. Deixou de amar as areias
das dunas, as tardes de chuva
miúda, o orvalho matinal
dos cardos. Prefere agora as sílabas
da sua aflição.


Eugénio de Andrade, Os trabalhos da mão (in Ofício de Paciência)

No post «Lendas urbanas: tamiflu e anis estrelado» referi brevemente o cardo mariano e o cardo coroado e a elevadissima toxicidade deste último, muito popular em algumas «medicinas» tradicionais.

 

No entanto, embora cantados por alguns poetas, os cardos são considerados erva daninha em Portugal. As plantas a que chamamos cardos pertencem, na sua maioria, à tribo Cardueae ou Cynareae cujas características distintivas são os espinhos e a ausência de flores liguladas, substituídas por flores tubulosas. Nem todos os cardos pertencem à mesma família, por exemplo o cardo marítimo recordado por Eugénio de Andrade é uma umbelífera.

 

Ver mais... )

Um pouco cedo demais para este pé-de-meia, não?

Mesmo a corroborar a apresentação de Michael Shermer sobre coisas incompreensíveis em que as pessoas acreditam, ao ler o Pharyngula agorinha mesmo deparei-me com algo absolutamente inacreditével, um banco que se anuncia assim:

Scriptures throughout the ages predict man's reincarnation and rebirth. During the transition period to your next life, 2i Limited is offering safe keeping for any asset you wish to deposit.

There are people who say they can remember their past lives and use that knowledge to help them with their current existence. Some people say they remember without any effort on their part as they simply see previous times. If you leave nothing purposely behind when you die, then what is there here for you when you return?

Begin by believing and just do it. The great end of life is not just knowledge but action so act now and save for your reincarnation.

Surpreendemente, a página em causa tem um link para depósitos mas não tem links para os felizardos que regressaram do «Além» recuperarem as economias de uma vida ... anterior. Tal como em todas as coisas que Shermer aponta, não consigo perceber como há gente que engole disparates destes....

Guilty pleasures ou com a verdade me enganas

Há uns tempos recebi por mail uma mensagem que me fez sorrir. A mensagem dizia que «Os perigos do monóxido de di-hidrogênio e seus inúmeros perigos à saúde já são conhecidos da população. Mas a recente morte de Jennifer Lea Strange, envenenada, me faz crer que ainda é necessário disseminar mais informações sobre esta droga fatal. Especialmente porque a natureza do monóxido de di-hidrogênio como porta de entrada para drogas pesadas ainda é subestimada pelas autoridades.
Você sabia que 100% dos adolescentes que usam cocaína, loló, maconha ou heroína usaram monóxido de di-hidrogênio pelo menos um mês antes de experimentar as drogas pesadas?
Você sabia que esta substância é encontrada freqüentemente no corpo de assassinos, estupradores e outros criminosos logo após sua apreensão em flagrante?
Você sabia que esta substância perigosa, além de ser um solvente praticamente universal, também está presente em tumores cancerígenos?  Todos os anos milhares de pessoas morrem em conseqüência da ingestão desenfreada desta substância, e mesmo assim não é feita uma campanha de consciencialização, nada.
De fato, apesar  dos perigos reconhecidos do
monóxido de di-hidrogênio, o governo brasileiro se recusou a banir a produção, distribuição ou uso desse químico prejudicial por causa de sua importância para a economia desta nação. Indústrias despejam MDH nos rios e oceanos, e nada pode ser feito contra essa prática, porque ela é legal!  Organizações militares de vários países conduzem experimentos com MDH, e fazem uso de dispositivos caríssimos para controle e utilização do monóxido durante situações de guerra. O impacto na vida selvagem é extremo, não podemos continuar a ignorar essa situação! O horror deve ser detido!»

 

Charlatanices e SIDA: uma história de horror


Li muito recentemente o livro de Ben Goldacre, o médico que mantém semanalmente uma coluna no Guardian intitulada Bad Science e que se devota a desmontar charlatanices sortidas em particular «medicinas alternativas» como homeopatetices e afins.

O livro é uma leitura especialmente recomendada mas, na edição que comprei, deixa em suspenso qualquer coisa negra que impediria a inclusão de mais material. Há uns dias, Goldacre publicou no seu blog o capítulo em falta, que pede seja amplamente divulgado. No prólogo ao The Doctor Will Sue You Now, o autor explica que esta história de horror, que justifica porque é necessário denunciar todos estes charlatães alternativos, só agora pode ser publicada: Matthias Rath, o muito bem sucedido vendedor de banha da cobra em questão, processava Goldacre e o Guardian quando o livro foi publicado.

E esta história de horror, em boa parte responsável pelas dimensões que a epidemia de SIDA atingiu na África do Sul, deve ser amplamente divulgada. Sobretudo, dever-nos-ia fazer reflectir sobre aquilo que temos insistido no De Rerum Natura e resumi no Charlatanices e banhas da cobra: activação de ADN: o ressurgimento destes obscurantismos é uma manifestação de que algo está profundamente errado na nossa sociedade mas para além de sintoma é igualmente uma causa do que está errado. Vivemos tempos em que este tipo de patetices, aparentemente inócuas, na realidade são uma espiral descendente que se não for travada pode ter consequências desastrosas. O pior perigo destas charlatanices é o facto de que «envenenam» a mente, isto é, pretendem passar anti-ciência por ciência e apelam a que as pessoas deixem de pensar. São perigosas porque afirmam que o pensamento mágico é mais importante que o trabalho, a verdade, a razão e o respeito pelas evidências. E a razão e o respeito pelas evidências são a fonte do progresso da Humanidade - e a nossa salvaguarda contra todos os que lucram pela deturpação da verdade.
 

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