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Da entrevista do Dr. Pedro Santana Lopes ao jornal Público

Pedro Santana Lopes interrompeu ontem, no jornal Público, o longo período de silêncio a que se tinha remetido desde o congresso do PPD/PSD, há três semanas. Para Santana Lopes, o manifesto dos 70 pela reestruturação da dívida não passa evidentemente de «um ato de redenção» dos signatários. Santana não precisa de se redimir porque em devida altura, «em 2004, disse e repeti que não podíamos consentir as Scut». Contra ele, esteve «António Mexia, inteligência distinta da nossa praça, e digo isto sem ironia». Não sendo agora possível resolver o problema da dívida apenas com o fim das Scut, Santana - outra inteligência distinta da nossa praça, e digo isto sem ironia - recusa a reestruturação da dívida e propõe antes «uma solução nos termos da Alemanha do pós-guerra», que por acaso até foi uma solução de reestruturação da dívida.

Santana diz que foi «ao congresso principalmente para falar da Europa», mas para benefício de todos acabou a falar daquilo que sabe e gosta: da obra social da Santa Casa e de festas surpresa. Do que ele não gosta é de ter sempre razão antes do tempo e de não ver isso devidamente reconhecido. Sobre isto, o Público faz uma observação bastante pertinente: «Parece que todas as ideias foram antecipadas por si e ninguém o levou a sério…» Santana aparentemente concorda, quer com a parte de ele próprio ter tido a capacidade de antecipar todas as boas ideias do mundo, quer com a parte de ninguém o levar sério: «em Portugal, olha-se muito para as pessoas e ouve-se pouco o que elas dizem.» Santana, que não reconhece «a ninguém no meu partido mais preocupação na ação concreta em relação às questões sociais», antecipa agora que «o Estado Social vai acabar». Esperemos que, por uma vez, esteja enganado.

Pedro Santana Lopes debruça-se ainda, e como não poderia deixar de ser, sobre as presidenciais. «Gosta da ideia de ser candidato?» Santana defende que «nenhuma pessoa pode olhar para o seu umbigo a propósito de uma decisão como essa». Estamos a falar de alguém «que se propõe ser símbolo de unidade nacional, ser comandante supremo das Forças Armadas, ser chefe de Estado. É uma decisão bem… quase não tem qualificativos…» O Público não esclarece, mas nesta parte ficamos com a sensação de que se lhe cortou a respiração. Não é caso para menos, já que estamos a falar de um «símbolo nacional», que passa revista às tropas e representa o país no estrangeiro.

Ao mesmo tempo que garante não estar a olhar para o seu umbigo, Santana não nega que esteja a olhar para o umbigo do professor Marcelo. O comentador da TVI «leu os jornais desse dia e pensou que seria um erro não ir» ao congresso, diz Santana. Recorde-se que os jornais desse dia tinham uma notícia em comum: Santana Lopes ia falar ao congresso do PSD. Mas Santana não está verdadeiramente preocupado com esta concorrência. De resto, até tem «pena que ele [Marcelo] não fale de issues, de policies». Isso deve-se ao facto de o Professor nunca ter tido oportunidade de desempenhar funções que lhe permitissem estar perto das pessoas, para além de dar aulas que é muito bonito, mas isso é outra coisa». Por outras palavras, “quem sabe faz, quem não sabe ensina”.

«Então, não afasta a hipótese de se candidatar à Presidência da República?» O Público pergunta e Santana responde: «Em abstrato, posso ter várias condições para exercer funções como essa». Em abstrato, sem dúvida que Santana reúne as várias condições para exercer funções como essa: é cidadão português e maior de 35 anos, conforme prevê a Constituição. O problema coloca-se mais em concreto. É que ao contrário de Marcelo, Santana já teve de facto demasiadas «oportunidades para desempenhar várias funções que lhe permitiram estar perto pelas pessoas».       

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