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jugular

da filha da putice, tomo trezentos mil e cinquenta e picos

um dia, há muitos anos (há mais de cinco, vá, o que é eternidade na net) escrevi um texto que foi o meu último num determinado blogue, intitulado 'dos filhos da puta'.

 

constatei que, talvez não incidentalmente, houve quem considerasse que o texto lhe era dirigido e afectasse grande e irrevogável ofensa. de tal modo aliás que pareceu ter tirado a vida para acertar contas. tudo bem, a gente percebe que seja chato ver-se tão extraordinariamente bem retratado num apodo assim -- pode ser caso para uma impossível de satisfazer necessidade de consolo.

 

qual não foi o meu espanto, porém, quando a dada altura a criatura me endereçou um mail a propor 'pazes' em que asseverava nem se lembrar já por que razão nos tínhamos zangado. falava até de 'ramo de oliveira' (juro).

 

ora um tipo que acha que lhe chamei filho da puta pode achar que passou o prazo da ofensa -- tudo bem, cada um sabe de si; sucede que eu, quando acho alguém digno do epíteto -- e nesse caso concordo com a asserção que o próprio fez sobre si mesmo ao reconhecer-se no texto -- tendo a não mudar de opinião. e não tendo mudado de opinião (pelo contrário) pensei: olha, deve estar com uma doença terminal, é a única explicação plausível para vir pedir batatinhas. má comás cobras como sou, porém, achei que nem isso me levaria a responder a tão ridículo e sonso mail: se não gosto de alguém, confesso que não é por a pessoa estar malzinho que passo a gostar (é uma das coisas boas de a gente não crer nas recompensas eternas da sonsice).

 

 

suponho que à tão ressentida ofensa anterior se tenha pois somado a do imperial desprezo pelo raminho estendido. a ponto de a pobre pessoa ter redobrado a obsessão em investidas, provando que de vez em quando as histórias da nossa infância que nos prometiam que tudo faz sentido e que os maus são sempre castigados acertam. e que, claro, conseguiu debelar a tal doença terminal que a afligia. que bom. embora eu, como o outro, ache que nos distinguimos também pela qualidade dos nossos inimigos, e há gente que nem para inimiga serve. 

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