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epifania

"Como é que se chegou a esta situação?", perguntou ontem um deputado tonto, numa comissão parlamentar, acerca da situação no Grupo Espírito Santo. Qualquer governante responsável responderia "qué quisso interessa, ó grunho? é preciso é olhar para o futuro, o passado já lá vai, os dias negros da irresponsabilidade socialista e dos descontroles do Sócrates". De facto, a última coisa que interessa é pretender saber "como é que se chegou aqui", que mania portuguesa esta - tão pouco moderna, tão pouco europeia,  tão pouco desenvolvida - de querer saber os motivos e as causas das coisas. Não exatamente portuguesa. De alguns portugueses, pronto. Uns desocupados, preguiçosos, gastadores, chulos que ocupam as cadeiras de S. Bento e não fazem nenhum. Só perguntas parvas. Ora, se S. Exa. o Idiota Estúpido Deputado da Nação (de um partido de esquerda qualquer, não interessa, eles querem todos é tacho) pensasse um bocadinho, saberia que "chegou-se a esta situação" (não é "esta" de hoje, depois da sapiência medico-científica deste governo, é "esta" a outra, aquela em que a esquerda nos mergulhou durante décadas, ou seja, tudo o que está errado em Portugal) por termos vivido acima das nossas possibilidades, Portugal não nasceu para ter um estado social, emprego, saúde, ensino e essas coisas que os comunistas dizem que são do povo mas de que se esquecem sempre dos custos, da perda de competitividade, do desajustamento orçamental, the facts of life, em suma.

Ora bem. Não interessa. O Deputado Chupista perguntou. A Nossa Ministra condescendeu - com aquele ar glorioso de encarnação de N. Sra. num "abençoados os pobres de espírito" (com e minúsculo) - e respondeu. Uma resposta divina. Simples, como todas as tiradas geniais. Eis a transcrição fiel: "Como o nome é o mesmo, há alguma confusão, em Portugal e no estrangeiro, entre o Grupo Espírito Santo e o Banco Espírito Santo. Não é, de todo, a mesma coisa." Está explicado. Elementar, meus caros súbditos. Como é que não perceberam de que tudo isto é apenas um enorme equívoco de nomes? E que os "mercados", essas entidades que é preciso deixar funcionar à vontade sem regulação sufocante mas que de vez em quando é preciso ensinar porque são burros como só eles - digamos que num grau só comparável ao de certos deputados - não perceberam que há uma diferença entre Grupo e Banco? quem diz mercados diz praticamente todo o mundo, excetuando a família Espírito Santo e, pelo menos, pelo menos, a ministra das Finanças. Abençoadinha, Santa, que nos explica as verdades simples e essenciais da vida, a Grande Educadora do Povo.

Só fiquei com alguns engulhos sobre as implicações teológicas de tudo isto. Santíssima Trindade, arianismo, Deus triuno, consubstanciação, controvérsias de séculos. Deus meu, Deus meu, será que terá ocorrido também algum remoto erro elementar de interpretação sobre o que é realmente o Espírito Santo, precipitando os fiéis em cismas e querelas, apenas porque nesses tempos medievais obscuros não havia uma Sta. Maria Luís que os iluminasse?

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