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Esperemos que não mudem nunca

Afinal o melhor do congresso do PSD ainda estava para vir. Refiro-me evidentemente ao post Uma conversa com Pedro Passos Coelho, de Mário Amorim Lopes, publicado no início da semana no blogue Insurgente.  

Aparentemente, «Pedro Passos Coelho disponibilizou-se para uma conversa de cerca de meia hora com os social media», sendo que por social media devemos entender aqui «Eu [Mário Amorim Lopes], o Carlos Guimarães Pinto, o Vítor Cunha, entre outros». O Insurgente, portanto.

O texto arranca com uma afirmação inquestionável: «A pontualidade não define um grande líder (…) mas define um homem pontual». A frase deve ser mais profunda do que parece à primeira vista, pois «um homem pontual é alguém que leva os seus compromissos a sério, e isso não é pouco», especialmente quando o compromisso é conversar com o Insurgente.

A conversa com o antigo primeiro-ministro decorreu num espaço que «era o melhor que um contentor montado de improviso em zona privada do Congresso poderia proporcionar». Essa privacidade poderia ter permitido «uma ou outra piadola de circunstância, os ice-breakers, que seduzem quem se quer deixar seduzir» - e se há quem queira deixar-se seduzir por Passos Coelho é Amorim Lopes.

Infelizmente, o Insurgente só teve direito a «uma referência a “gajos” e nada mais se aproximaria do coloquialismo». Pensando bem, nem poderia ser de outra maneira, já que, para quem não sabe, «Pedro Passos Coelho, o homem e o político, são a mesma pessoa. Frio, sereno, responsável, determinado, como haveria de dizer Santana Lopes», insuspeito desse tipo de virtudes.

«A primeira [e única] questão prendeu-se inevitavelmente com algo que há muito me preocupava.» O que seria? O desemprego, a segurança internacional; o Sporting, o Benfica? Nada disso: «preocupava-me o slogan que Passos decidira adotar: Social-democracia, sempre! Credo». Amorim Lopes socorre-se de um clássico para justificar tamanha angústia: «em 2008, Henrique Raposo definiu bem o posicionamento ideológico dos partidos portugueses: mais coisa menos coisa, tudo de esquerda». Mais coisa menos coisa.

«Era isto que o PSD ambicionava voltar a ser? Impôs-se o silêncio. Expectante, Passos aguardava por uma questão.» Amorim Lopes reformula: «O que é a social-democracia em 2016?». E Passos dá finalmente sinais de vida: «a nossa social-democracia não é a social-democracia de Bernstein ou de Rosa Luxemburgo». Amorim Lopes estava agora «um pouco mais descansado». É que, para este insurgente, «essa social-democracia [de Bernstein e Rosa Luxemburgo] é socialismo de fato e gravata, pérolas e iPhones».

Mas se não é das pérolas de Rosa Luxemburgo nem dos iPhones de Bernstein, do que fala Passos quando fala de social-democracia? O mistério adensa-se e Amorim esclarece: Passos Coelho «refere-se à Dinamarca, à Suécia e à Finlândia», que agora aderiram à liberdade de escolha. Ficamos todos mais descansados, a começar pelo autor que mesmo assim continua a preferir o modelo da Irlanda. O seu lema para Portugal lembra um título muito conhecido: «somos aquilo que quisermos ser», ou em inglês, «Aim for the sky and you’ll reach the ceiling».

Ground Control to Major Mário. Estava na hora de descer à terra: «Um assessor avisa que o tempo está a terminar, há afazeres a fazer». Passos foi à sua vida, seguindo o bom exemplo «dos verdadeiros heróis acordam às 7 da manhã, trabalham sine die e não têm tempo para congressos», como os Insurgentes. O objetivo também era só dar a conhecer Passos, se possível «com um traço de humor», o que, voluntária ou involuntariamente, foi plenamente conseguido. «Passos é isto. Esperemos que não mude nunca». Esperemos que não, e só podemos desejar o mesmo ao Insurgente em geral e ao Mário Amorim Lopes em particular.

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