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Memórias, perceções e factos

Sem Título

A afirmação é de Paulo Portas, já na altura só quem fosse destituído de cérebro acreditaria nela, mas ler isto hoje, um dia depois de ter sido divulgado o estudo da FFMS sobre a desigualdade que teve e tem eco em todos os OCS, acaba por lhe dar ainda mais sabor, e muito amargo. 

«Portugal 2009/2014. Portugal antes e depois do pico da austeridade. Portugal com mais desigualdade e mais pobreza. Tinha de ser, foi a crise? Não: as políticas adotadas não atenuaram, antes agravaram, quer a pobreza, quer a desigualdade. A austeridade silenciosa sobre os pobres arrombou mais do que a que foi gritada pela classe média e pelos mais ricos. É um facto.(...) 

Salvar as finanças de um país não pode ser um salve-se quem puder. Mas foi.

Isto revela a cegueira social da política da troika, que teve consequências ao contrário dos efeitos anunciados. E revela uma posição ideológica falhada (ou, hipótese pior, que teve sucesso). Porque, naquela altura, o discurso político do PSD afirmava ou supunha que os apoios sociais eram em si mesmos negativos porque subsidiavam quem preferia não trabalhar, tornando-se um fardo social financiado pelos impostos dos que trabalhavam. Reduzir os apoios sociais não resultou apenas da menor disponibilidade orçamental, mas também do que os economistas chamam de estímulos e do que nos cafés se chama "vai mas é trabalhar".

Mas como ir trabalhar se trabalho não havia? Mais do que o aumento de desemprego, a diminuição do emprego tornou-se então uma das estatísticas mais brutais da economia.

O custo foi a seletividade social, entre os que pagaram muito mais impostos mas se mantiveram com patamares de rendimento acima da pobreza e dos que os dela desceram. Toda a gente sofreu. Quem sofre mais foram os mais frágeis. A austeridade não foi só bruta, foi à bruta.(..)»

O excerto acima é de Pedro Santos Guerreiro, num texto publicado ontem no Expresso. É de aconselhável leitura e só me merece reparos a parte em que afirma que havia a perceção que era a classe média a mais afetada, falta a parte de auto-crítica, as perceções enganam e todos os dados apontavam, desde sempre, para o efeito brutal das políticas do governo PAF na população mais pobre e desprotegida. 

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