no tempo em que os animais estavam na oposição, os deo se chamavam pec, o consenso não era uma imposição e o crescimento era a prioridade sobre contenção do défice
a 17 de março de 2010, antes de ser eleito presidente do psd, passos deu 1 entrevista à rtp.
em foco esteve a apresentação de um plano de estabilidade e crescimento pelo governo socialista, a exigência por passos de que o líder que saísse das eleições do seu partido fosse dele informado e tivesse oportunidade de o debater com o governo e a sua -- à época -- noção do que deve ser o consenso, assim como as 'mudanças/reformas estruturais' que considerava essenciais para o país e prometia levar a cabo se chefiasse um governo e a forma como considerava que descer o défice não podia ser o objectivo essencial de nenhum governo. vale a pena rever, e tomar nota de algumns excertos:
pec/deo
2:10 - o pec é um programa de médio prazo para a sociedade portuguesa, quer dizer, vai valer para os próximos 4 anos. o que significa que muitas medidas que estão inseridas no pec vão ter de ir ao parlamento nos próximos 4 anos para serem votadas. e essa é a razão pela qual o ps deve querer, como bruxelas, que o documento reúna o maior consenso possível. ora eu não dou nenhum consenso àqueles que não querem falar comigo. 2:37
2:49 - como é que eu posso sentir-me vinculado a 1 documento que há-de depois vir periodicamente ao parlamento, nos orçamentos de estado, através de outras iniciativas legislativas do governo, como é que posso sentir comprometido com um documento que não foi discutido com o psd? 3:07
por ser um documento sensível é que o ps e o governo deveriam discuti-lo o mais amplamente possível.
défice e dívida versus crescimento
5:30 - se o pec se mantiver como está, de facto acho que o psd não deve dar o seu voto favorável. E vou dizer porquê. nós precisamos de fazer 2 coisas em portugal nos próximos 4 anos. A 1ª é realmente reduzir o défice e reduzir a dívida pública. e este pec tem um caminho para reduzir o défice e a dívida. simplesmente é um caminho que não nos interessa e é o caminho que já percorremos no passado e q representa sempre o mesmo esforço de tratar os portugueses à bruta e de lhes dizer ‘agora não há outra solução. nós temos um défice muito grande e portanto os senhores vão ter de o pagar, tenham paciência’. e portanto o pm tinha dito formalmente ‘nós não vamos aumentar os impostos e a carga fiscal’, e ela aumenta neste pec. tinha dito ‘não faremos aqueles que estão mais desprotegidos pagar esta crise’, e é o que lá está. como é que nós podemos olhar para os portugueses e dizer-lhes que vão ser eles outra vez a pagar a crise? 6.27
9:16 ‘não precisamos apenas de ter 1 défice inferior a 3% daqui a 3 anos; isso para a comissão europeia serve, mas para portugal não serve. nós precisamos de crescer. e o pec não traduz nenhuma visão reformista da sociedade portuguesa, não comporta nenhuma medida estruturante, que coloque a economia a crescer, que favoreça o regresso do investimento. 9:35
reformas salvíficas
pergunta: se fosse pm neste momento, qual seria a sua medida q apontasse nesse caminho no crescimento?
9:44 há várias medidas. em 1º lugar a reforma da justiça. enquanto tivermos a justiça a funcionar mal ou a não funcionar como temos não é possível captar mais investimento, seja estrangeiro ou nacional. em 2º lugar precisamos de criar ainda maiores factores de mobilidade para o trabalho em portugal. isso exige no mercado de arrendamento uma reforma muito ampla e exige também na lei laboral ainda uma modificação muito grande. continuamos a ter a legislação mais rígida da europa. em terceiro lugar precisamos de apostar a sério na qualificação dos portugueses. há mtos anos que andamos a trabalhar para as estatísticas e não nos concentramos no essencial. não havendo uma reforma da educação séria que não há há muitos anos não é possível apostar em crescimento. e finalmente ñ é possível encarar a presença do estado na economia como ele tem estado até hoje.
consenso
17:36 ‘considera que não haver qualquer conversação sobre o pec é 1 consenso? o que é que significa 1 consenso? para mim não significa apoio. consenso é ter 1 ponto de vista e eu ter outro e vamos conversar e podemos chegar a 1 consenso. consenso não é ser pm e chegar ao pé d mim e dizer assim: olhe eu tenho aqui 1 documento com que sei que o sr não concorda, mas como precisamos de 1 consenso o senhor vai assiná-lo.’ 18:10
‘porque é que estão todos tão preocupados com o consenso? porque o documento em si tem pouco valor jurídico. é 1 promessa de acção para futuro, e para se concretizar vai ser preciso apoio no parlamento. ora se o governo quer o nosso apoio para as medidas que lá tem, tem de conversar sobre elas. E o governo não quer conversar sobre elas. como é q pode haver consenso?” 18.41

