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Pediram consenso?

1. Numa rábula sobre um pais imaginário chamado Ruritânia, o perito internacional em reestruturação de dívidas soberanas, Lee Buchheit, escreve: "A história ensina uma importante lição. A procrastinação patológica pelo soberano em reconhecer a severidade do seu problema e a iniciar o trabalho necessário pode tornar a resolução da crise bem mais difícil para todos - o soberano, os cidadãos e os credores (...) Adiar a reestruturação da dívida até que o próximo governo inicie funções é, claro, a opção mais tentadora (...) a inclinação instintiva de um político para a negação pode receber encorajamento de quadrantes surpreendentes. Os credores quererão naturalmente adiar o dia do julgamento o mais possível".


2. É por isso essencial que, em casos destes, a sociedade civil expresse aquilo que os responsáveis políticos não podem dizer. Esta situação é tanto mais importante quanto uma boa parte das elites nacionais têm clamado pela formação de um consenso que institucionalize uma política de austeridade por 25 anos. Ora, se queriam um consenso, aqui o têm: era difícil imaginar que pessoas de quadrantes ideológicos tão díspares subscrevessem uma posição que há 2 anos não passava de um enorme tabu. No momento em que a Europa ainda não sabe o que fazer à dívida grega, o apelo à importância de encontrar uma solução integrada para todos países com níveis elevados de divida é muito oportuno.


3. A resposta do primeiro-ministro ao manifesto foi notável: não pela demarcação (natural) da solução proposta, mas pelo descontrolo revelado. Isto mostra que um objetivo do manifesto já foi atingido: mostrar que Passos está mais sozinho do que pensa e que a sua solução "responsável" não serve os interesses futuros do País. O que ela serve, na verdade, é a agenda dos que viram na ‘troika' a oportunidade de implementar um programa ideológico e acham que o trabalho não está terminado. Quem assim pensa, "precisa" de toda a dívida: enquanto ela for gigantesca, a austeridade será permanente. Talvez concedam o risco de uma reestruturação no futuro - mas nunca antes de terminar a desestruturação do Estado e a purificação da economia em curso. Se algo une os signatários do manifesto, parece ser a vontade de colocar um ponto final a esta deriva.

 

[Publicado hoje no "Diário Económico"]

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