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«Pretérito mais que presente»,

Acabei de ouvir, na TSF, entre as 13 e as 14 horas de hoje, uma excelente reportagem de Joana Sousa Dias, sobre um magnífico projecto que envolveu quinze alunos da Escola Secundária de Valpaços. Recuando no tempo para compreender o que era viver em Oswiecim (Auschwitz), durante a II Guerra Mundial, estes alunos criaram uma parceria com uma escola polaca e escreveram um diário, em que cada um dos 15 portugueses personificaram um jovem dessa localidade polaca, a viver nesse período à beira de campos de concentração e de extermínio. O projecto terminou com uma viagem a Cracóvia e ao bairro judeu dessa cidade, bem como a Auschwitz, onde, além de encontrarem os alunos da escola polaca, os jovens portugueses visitaram o campo de concentração com o mesmo nome e o campo de extermínio de Birkenau.

 

Sei que muitas escolas do país estão envolvidas em projectos tão bons como estes e, ainda na semana passada, tive o imenso gosto de estar presente numa palestra sobre a Mocidade Portuguesa Feminina. Esta inseriu-se num projecto, organizado por quatro alunas do Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho, que envolveu um filme e a apresentação de fotografias sobre essa organização feminina do Estado Novo que serão inseridas num site em preparação sobre o tema, o qual prometo aqui vir a referir.

 

«Pretérito mais que presente», reportagem de Joana de Sousa Dias, com sonorização de Herlander Rui

Ouça aqui

Auschwitz

Auschwitz II-Birkenau 

© ana vidigal

 

Em 27 de Janeiro, decorrem sessenta e cinco anos da libertação, pelos soviéticos, do campo de concentração e de extermínio nazi de Auschwitz, na Polónia. Além de se ter tratado de um campo de extermínio, onde foram massacrados, pelos nazis, mais de um milhão e meio de homens, mulheres e crianças, na sua maioria judeus, e também, ciganos, prisioneiros de guerra russos, polacos e presos políticos, o nome de Auschwitz é hoje um símbolo de uma dos maiores crimes cometidos contra a humanidade. É um nome que acaba por recobrir, não só, como se verá, Auschwitz-Birkenau, como todos os outros cinco campos de extermínio, de Majdanek, Chelmno, Belzec, Sobibor e Treblinka, todos situados na Polónia ocupada pela Alemanha nazi.
Só neste último campo, um imenso cemitério escondido no meio de belíssimas árvores, depois de os nazis reflorestarem a zona para esconder o crime, estes e os seus cúmplices assassinaram mais de 800.000 judeus, entre Junho de 1942 e Agosto de 1943. Este massacre incluiu-se no âmbito da «operação Reinhard», nome de código do plano alemão para assassinar os judeus que residiam na parte da Polónia ocupada mas não directamente anexada pela Alemanha. No âmbito dessa «operação», os nazis mataram, entre Março de 1942 e Novembro de 1943, mais de 1 milhão e meio de judeus só nos últimos quatro campos de extermínio. No total, estima-se que foram assassinados na Polónia cerca de 2.9 milhões de judeus; ou seja, cerca de metade do número do total judeus mortos no Holocausto. O crime foi de tal envergadura que Auschwitz ficou como paradigma e símbolo do horror, do que seres humanos são capazes de fazer a outros seres humanos.

 

Nos 65 anos da libertação de Auschwitz, etapas que conduziram ao Holocausto

 

A historiografia mais recente sobre o Holocausto nazi considera que o mecanismo desse terrível acontecimento, enraizado num anti-semitismo biológico, procedeu por etapas, num processo em espiral de radicalização imparável. Ou seja, o regime hitleriano terá começado por definir a figura dos judeus e proceder ao boicote ao comércio judeu, em 1 de Abril de 1933, prosseguindo depois com a criação de legislação de exclusão dos judeus das profissões liberais e da função pública. Posteriormente, o regime nacional-socialista atribuiu um estatuto diferente aos judeus, através das leis de Nuremberga, em 1935, e veio então a expropriação e a «arianização» do património dos judeus, iniciada na «Noite de Cristal» de Novembro de 1938. Paralela ou posteriormente à “emigração”/expulsão do território alemão dos judeus, consoantes os territórios, os judeus foram sendo concentrados, enclausurados e isolados em guetos.
O historiador Robert Browning mostrou que o processo pelo qual, num período de 25 meses, entre Setembro de 1939 e Outubro de 1941, o regime nazi chegou ao extermínio de todos os judeus europeus sob domínio alemão, passou por duas políticas distintas: a reinstalação e a guetização. A chamada «questão judaica» deveria ser solucionada, segundo os dirigentes nazis e em particular Himmler, reinstalando os judeus a leste da Europa, através de expulsões forçadas e, concomitantemente, da dizimação dessas populações. Primeiro, Himmler encarou expulsar essas populações judaicas para o distrito de Lublin na Polónia e depois para a ilha de Madagáscar. O segundo processo foi a guetização dos judeus, “solução” essa que emergiu como resposta improvisada da parte das autoridades alemãs ocupantes locais, até que tivesse lugar a reinstalação final, planificada a nível dos mais altos escalões do governo nazi. Depois da «guetaziação», ocorreu a deportação dos judeus para os campos da morte e o assassínio em massa dos judeus. A política anti-semita teve, assim, um carácter cumulativo, por etapas, progredindo desde a discriminação profissional até ao extermínio.
 

 

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