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Pinochet, “apanhado” pelo dinheiro sujo em alguns bancos

Leituras de Verão, que podiam ser de Inverno, e a coincidência irónica de datas – 11 de Setembro de 1973 e de 2001.

 

Heraldo Munõz, A Sombra do Ditador, Memórias Políticas do Chile sob Pinochet (RJ, Zahar, 2010)

 

Como se sabe, o governo do socialista Salvador Allende, no Chile, foi derrubado por um golpe militar liderado pelo general Augusto Pinochet, que governaria durante 17 anos um regime ditatorial sangrento, responsável por cerca de 40 mil vítimas da prisão, tortura, morte e/ou desaparecimento. O que se sabe talvez menos bem é que o Chile de Pinochet serviu de laboratório para Milton Friedman, cujas teorias monetaristas foram adoptadas nesse país pelos chamados «Chicago Boys», economistas chilenos neo-liberais formados na universidade de Chicago. Como mostra Heraldo Munõz, o «Chile de Pinochet se tornaria depois o bom aluno do Fundo Monetário Internacional (FMI), a inspiração do Consenso de Washington, o conjunto de directrizes ditadas pelo FMI que apontavam o rumo a ser seguido pelos países a fim de “pôr a casa em ordem do ponto de vista económico” e crescer».

Também o que talvez não se sabia bem é que Pinochet, que morreu em Dezembro de 2006, e foi detido, em 1998, surpreendentemente para o mundo, numa clínica em Londres, por violação dos direitos humanos, a pedido do juiz espanhol Baltasar Garzón, acabaria por regressar ao Chile, em Março de 2000, sendo então finalmente acusado de crimes pela lei chilena e colocado em prisão domiciliar. No entanto, ironicamente, «não caiu em desgraça por acusações de violação dos direitos humanos, mas por uma investigação relacionada a terrorismo, levada a efeito nos Estados Unidos, a respeito de dinheiro não declarado que vinha escondendo, sob vários nomes fictícios e de membros da sua família, em contas no Riggs Banks e em outras instituições no mundo inteiro».

Sobre esse irónico episódio, cito Heraldo Muñoz:

«Talvez o golpe final para a reputação do ex-ditador tenha vindo em 2004, quando o líder da luta do mundo livre contra o “terrorismo comunista” foi derrubado pela “guerra contra o terror” iniciado depois do 11 de Setembro americano» (de 2001) - recordo que o golpe de Estado militar chefiado por Augusto Pinochet que derrubou o governo eleito de Salvador Allende ocorreu também em 11 de Setembro (de 1973).

«Entre 1999 e 2011, o Subcomité Permanente do Senado dos Estados Unidos (…) investigou a lavagem de dinheiro no sector financeiro do país. Em 2003, a pedido do senador Carl Levin, o Subcomité Permanente (do senado dos EU) iniciou uma auditoria sobre o Riggs Bank de Washington, para avaliar a efectividade das cláusulas antilavagem de dinheiro do Patriot Act. (…)

Os documentos também revelaram que, de 1994 a 2002, o Riggs tinha aberto pelo menos seis contas e emitido vários comprovantes de depósito para Augusto Pinochet. Segundo o relatório do Senado, “o total dos depósitos nas contas de Pinochet no Riggs ia de quatro a oito milhões de dólares a cada vez” (…) A investigação do Senado também descobriu que o Riggs Bank ocultou a existência das contas de Pinochet dos auditores (…)  por dois anos (…).

Num perfil de cliente de 1998, o banco descrevia Pinochet como “um profissional aposentado que teve muito sucesso em sua carreira e acumulou riqueza durante a vida de maneira legítima”, e estimava sua fortuna líquida num montante que variava de 50 a 100 milhões de dólares. (…)

Em termos do império financeiro ilegal de Pinochet, o Riggs era apenas a ponta do iceberg. O general também tinha depósitos em outras instituições como Citibank, Banco do Chile nos Estados Unidos, Espírito Santo Bank de Miami, Counts & Co. Bank of Miami e Atlantic Bank em Zurique e Gibraltar. (…)».

 

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