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jugular

De afirmações extraordinárias sobre a laicidade e liberdade religiosa na 1ª República

No post «Lixos muito tóxicos» um comentador, de seu alias Jairo Entrecosto, invectiva muito acesamente o meu parágrafo final, que versa sobre as afirmações extraordinárias do padre João Seabra acerca da laicidade na 1ª República. Recordo o que escrevi: «Numa reescrita da História que só posso classificar de estonteante, o responsável do Comunhão e Libertação afirma que «O Episcopado e o clero é que fizeram a verdadeira separação do Estado e da Igreja em 1911 e não o governo republicano».  Retomando os termos que parecem estar na ordem católica do dia, o livro «O Estado e a Igreja no início do XX» parece esse sim lixo espiritual mas lixo tão imbecil que não chega a ser tóxico...»

 

Outro comentador resume bem a incongruência da tese desenvolvida pelo nosso caríssimo Entrecosto, que se ouriça todo por um lado com a separação Estado-Igreja na 1ª República, uma coisa muito má que até levou (sic) a «assassínios de padres», e por outro por eu ter classificado de idiota a pretensão de que foi «O Episcopado e o clero» «que fizeram a verdadeira separação do Estado e da Igreja em 1911 e não o governo republicano».

 

Não há quaisquer dúvidas de que a separação do Estado e da Igreja foi um dos pontos quentes da 1ª República. A laicização levada a cabo pelos republicanos  foi deplorada veementemente pelo clero, habituado ao poder absoluto. Nomeadamente,  carpiram a perda substancial de influência na vida portuguesa ao ser anulado o juramento religioso nos tribunais e noutros actos oficiais. Os registos, como os actos relativos à família, o nascimento, o casamento, o divórcio e o óbito, até então efectuados na igreja, passaram para o Registo Civil.

  

Lixos muito tóxicos

Depois de Bento XVI denunciar os «resíduos tóxicos espirituais, que contagiam as populações de outros continentes»,  parece que a expressão pegou  por bandas do Vaticano. Assim, ontem foi a vez de Ennio Antonelli, presidente do Conselho Pontíficio para a Família, utilizar o termo para se referir às execradas «ideologias de género»  que não reconhecem a «ordem divina» expressa na inenerrante «antropologia bíblica».

 

Para o cardeal, é um lixo tóxico muito perigoso, para que a Igreja em África deve estar especialmente atenta, a profundamente errada e eticamente inaceitável «antropologia» exportada que «propõe soluções baseadas nos valores da igualdade, saúde e liberdade».

 

Revisionismo histórico ou esta gente passa-se big time

Nos bastidores da jugular, a João falou-nos no post «Russo responsabiliza Polónia pela II Guerra» através do qual descobri que «A Polónia, ao recusar ceder às exigências de Adolf Hitler, foi em parte responsável pelo início da II Guerra Mundial, afirmou um historiador do ministério da Defesa russo, dizendo que as reivindicações alemãs eram "moderadas"».

 

Achei o artigo deveras estranho em vésperas da celebração dos 65 anos do D-Day, em particular quando ao mesmo tempo Barack Obama visitava o campo de concentração de Buchenwald e denunciava no seu discurso os revisionistas históricos que negam o Holocausto.

 

Resolvi investigar a notícia que apresenta ramificações inquietantes que a breve nota do DN não aborda. Nem fiquei mais tranquila depois de ler o The Moscow Times  que nos informa que o ministro esclareceu que o artigo «Inventions and Falsifications in the Assessment of the Role of the USSR on the Eve and at the Start of World War II» do coronel Sergei Kovalyov do Instituto de Histório Militar não deve ser considerado representativo da posição oficial do seu ministério.  Nem depois de saber que o ministério da Defesa tinha retirado da sua página o referido artigo -  que indicou ter sido publicado apenas para «discussão» - quiçá devido à reacção polaca.

 

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