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Cláudia, Irina e a Virgem Maria

O melhor anúncio da quadra natalícia é o da Crioestaminal. Esta empresa vende o congelamento e a preservação durante 20 anos de células estaminais do cordão umbilical. O anúncio mostra uma mulher grávida e o curto-circuito para a Virgem Maria é imediato. Mas ao contraste planeado entre a imaculada concepção de Jesus - algo que a Biologia nos diz ser impossível e a História sugere ter resultado de um erro de tradução - e as novas possiblidades que a ciência oferece, junta-se um outro, perfeitamente acidental. A campanha da Crioestaminal surge numa altura em que temos a cidade dominada pela escalada de lingerie protagonizada pela Intimissimi e a Triumph. Num momento em que alimentava a ideia de virmos a assistir a um strip em ping-pong entre  Cláudia Vieira e Irina Sheik, a súbdita intromissão no espaço público de uma grávida desnudada que usa as mãos para tapar os seios só não me arrancou uma gargalhada porque talvez Christopher Hitchens tenha razão quando se refere à gravidez como no laughing matter. Esta figura literalmente pós-sexual, que lembra ter o sexo sido inventado não para as mulheres usarem lingerie mas para fazerem crianças, espalha um difuso pudor, que tanto reprimiu a minha gargalhada como evitará que critiquem a empresa pela exploração comercial da imagem da Virgem. Well done.

Meritocracia

 

As obras de arte que poderão ser observadas e sentidas pertencem a artistas consagrados de diferentes Países, mas sobretudo de Portugal e de Espanha. Artistas portugueses como Álvaro Lapa, António Macedo, Clara Martins, Julião Sarmento, Júlio Pomar, Júlio Resende, Manuel Casimiro, Mário Bismarck, Moita Macedo, Paulo Teixeira Pinto, Rogério Ribeiro, entre outros, estarão representados ao mais alto nível".

 

Salvo erro, a enumeração que consta deste excerto ouviu-se hoje  num anúncio da Cordeiros Galeria que a TSF passou. A "consagração" do ex-banqueiro Paulo Teixeira Pinto como pintor é o maior exemplo de conversão profissional que o país conheceu. Não discuto o mérito do anúncio - afinal, Teixeira Pinto desperta curiosidade  - nem a sua legitimidade. Nem sequer conheço ou poderia avaliar a pintura de Teixeira Pinto. O episódio é apenas mais um exemplo da fragilidade da meritocracia, que talvez por isso é sempre o sistema defendido pelos que beneficiam das assimetrias de berço ou da facilidade com que se transfere para um domínio novo o prestígio e poder acumulados noutra área, sem que nisso se reconheçam. 

 

À terceira página do google imagens com fotos de Teixeira Pinto e sem ter apanhado uma única obra sua, optei por desistir. A imagem é um desenho de um outro artista consagrado.

 

Mais Estado, mais Estado

 

 

Vi hoje um. Não foi o primeiro nem o segundo "anuncie aqui" que encontrei por Lisboa e arredores. Creio mesmo nunca ter visto tantos. Ora, não percebo por que motivo o Estado não aluga estes espaços de publicidade que ninguém parece querer. Será que nenhum assessor no ministério da economia quantificou ainda o impacto negativo para o PIB de cada dia de exposição de um "anuncie aqui", pela quebra na confiança que induz? Talvez se concluísse que o Estado nem precisaria de anunciar nada; poderia inclusive preencher o espaço com uma foto da paisagem que o outdoor esconde, que ainda seria dinheiro bem gasto - com o eventual bónus de depois se poder levar o outdoor e a paisagem à Bienal de Veneza ou até mesmo a São Paulo. Tenhamos presente que o "anuncie aqui!"  é um  slogan da crise criado por geração espontânea ou - para parafrasear Adam Smith - pelo criativo invisível. E também aqui se vê o poder da crise: não precisa de pagar os honorários das agências de publicidade. O João Miranda ainda não fez um post sobre este assunto -  e dada a sua prolixidade, a conclusão ganha significância estatística - e o Luís Lavoura nem sequer se indignará com esta minha tentativa de fazer uma piada com um assunto tão grave. Porquê?Porque estes dois liberais sabem qual é a resposta. Mais Estado. 

 

 

 

Ogivas

 

A chegada a Lisboa da russa Irina Sheik - modelo da Intimissimi -  ameaça espoletar uma escalada à lingerie de proporções nunca antes vistas. A bipolarização está mesmo de volta e a doméstica, cândida e concomitante Cláudia Vieira revela agora as fragilidades do contingente europeu da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Perante a nova ameaça, a Triumph poderá ter sido precipitada a reclamar vitória, a menos que tenha bem guardado o segredo de uma futura  intervenção nos outdoors da capital da milícia norte-americana Victoria´s Secret - justamente -, onde pontificam mercenárias sul-americanas capazes de repor o equilíbrio de forças. Se assim for, da próxima vez que uma miss soletrar "world peace", é mesmo para a levar a sério. Não está prevista a entrada das iranianas neste conflito, embora haja indícios crescentes de importação clandestina de lingerie para aquele país em proporções só explicáveis pela existência de um programa  secreto de enriquecimento erótico. Quanto a deslocações por Lisboa, a solução parece-me óbvia: adoptar o metro.

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